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POR Bárbara Hellen

O valor de um péssimo relacionamento

Colunistas / 12.06.15

No meio do caminho, havia uma pedra. Muitas vezes, a pedra do nosso caminho é um relacionamento. Trata-se daquele relacionamento conturbado, sem muitas chances de dar certo… Aquele relacionamento difícil, cansativo e que a gente não entende o sentido, mas continua testando, tentando e se machucando.

São relacionamentos destrutivos: pode ser um namoro mal resolvido, uma amizade com uma pessoa de personalidade oposta a nossa ou até aquele familiar que a convivência é difícil. Esses relacionamentos nos dão trabalho e demora muito tempo para que possamos entender o quanto os “péssimos” relacionamentos podem nos acrescentar.

Ninguém gosta de sofrer. Mas, é no sofrimento que conhecemos melhor nossa personalidade. Quando estamos sofrendo, mostramos o nosso pior lado. Como li no livro A Culpa é das Estrelas*: a tristeza não nos muda, Hazel. Ela nos revela. Nesses momentos, nossos defeitos são mais exaltados do que nossas qualidades. Fazemos coisas que não acreditamos depois. Vemos do que realmente somos capazes. E as coisas que somos capazes de dizer? Senhor, não dá para rebobinar, não? Rs. Também nos deparamos com sentimentos ruins, atípicos do nosso dia a dia. Sentimentos que, de tão ruins, só desejamos nunca mais senti-los.

Um péssimo relacionamento é um divisor de águas. Água agitada e água calma. Não dá para ser a mesma pessoa. Que bom: é possível ser uma nova pessoa. Começamos a entender nossas atitudes, onde estão os erros, o que dá para fazer ou não. Até que ponto é bom tentar. E em qualquer situação, para além do sofrimento resta a comparação: “ah, mas naquela época eu passei por coisa muito pior”.

É inevitável admitir, momentos ruins nos trazem coisas ruins. É como imã. Mas, quando nos libertamos ou entendemos aquele relacionamento, ele deixa de ser péssimo e passa a ser uma das melhores coisas que nos aconteceram. Só pelo fato de ter nos possibilitado ser diferente. Ainda pegando emprestada uma frase de A Culpa é das Estrelas: sem dor, como poderíamos reconhecer o prazer? Como poderíamos reconhecer as coisas boas que nos acontecem sem ter vivenciado coisas ruins? E mais, como poderíamos apreciar os bons relacionamos? Como poderíamos ver que nós (e o outro) somos capazes de mudar? Por mais inacreditável que seja dizer isso, mas, um péssimo relacionamento tem o seu valor.

*A Culpa é das Estrelas foi escrito por John Green.

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Bárbara Hellen é jornalista. Troca qualquer coisa por uma boa conversa, um bom livro ou um sábado na praia. Ela admite: é tagarela, cheia das opiniões, perfeccionista e organizada. Adora conversar sobre política, mercado de trabalho e religião. Otimista, crê que tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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