Foto Colunista

POR Andressa Valadares

Não caia nesse buraco

Colunistas / 27.05.15

(Trilha sonora: Littlest Things – Lily Allen)

Se existe um buraco fundo no mundo, é o buraco em que habita o pensamento de uma pessoa insegura. Não que insegurança seja de todo ruim, até porque algumas vezes é ela que nos livra de entrar em muitas ciladas por aí. Mas, deixar que esse sentimento interfira em 99% das decisões que você tem que tomar na vida te impede de viver muitas coisas gostosinhas.

As pessoas, geralmente e principalmente nas relações amorosas, têm uma dificuldade muito grande em perguntar, em qualquer situação, por mais simples que seja. Basta uma cara emburrada, um olhar torto, um comportamento mais introspectivo para se criar uma odisseia homérica na cabeça, quando tudo poderia ser resolvido com perguntas simples, tais quais: Por que essa cara? O que aconteceu? O que foi que eu te fiz?

Fácil. Direto. Indolor.

Contudo, o ser inseguro não se mostra apenas no campo afetivo, mas também na construção até mesmo da própria personalidade. Em tempos de cultura da aparência, o mito do narcisismo aparece aqui de forma reversa, quando a pessoa se apaixona não pela imagem que vê refletida no espelho, mas pela projeção que aquela imagem pode causar a terceiros. É uma forma de anulação que só faz mal, que não acrescenta e que causa uma agonia danada – uma hora ou outra.

A insegurança desmedida também é algema, quando nos prende em pilares imutáveis e que nos desencoraja sempre quando pensamos em nos jogar em abismos de sonhos, planos e desejos, que passam a existir apenas no plano imaginário. Tudo por culpa dela!

Eis aqui a teoria do buraco negro da falta de confiança – em si, no outro e no mundo. Eis aqui uma das três causas do mal estar da civilização, já diria Freud, se estivesse vivo. Sempre que se sentir inseguro, pense em quantas horas de sono você estará perdendo se continuar se autoflagelando na agonia do não perguntar; do não arriscar; e do não se jogar. Por favor, não caia nesse buraco.

________________

Andressa Valadares é jornalista, repórter do jornal O Estado do Maranhão e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações, na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

___________________________________________________

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do Site BH. Possibilitamos que o leitor conheça opiniões diversificadas sobre os assuntos em pauta nas mídias sociais. Sempre iremos expor visões diferentes para que o leitor se questione, questione o mundo ao seu redor e, principalmente, corra do senso comum. Quer ver o seu texto por aqui? Mande para redacaositebh@gmail.com

Seja o primeiro a curtir.

Deixe uma resposta

*

ARQUIVOS

BH NO INSTAGRAM

FOLLOW @BARBARAHELLEN

BH NO FACEBOOK

www.000webhost.com