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POR Paloma Ayoub

Só uma vida mais leve

Colunas / 25.05.15

A decisão de viver de uma forma mais consciente e equilibrada perpassou pela escolha de me desapegar um pouco das redes sociais.

Nada contra os celulares ou a internet. Menos ainda contra aqueles que precisam estar 24 horas conectados, seja no trabalho, em casa, nas férias, nos aviões e na praia, com celular e computador ligados a qualquer momento e em qualquer ponto do planeta. Tem quem goste. Tem quem ame. Confesso que não é o meu caso, talvez pela incapacidade de conciliar essa conexão em tempo integral com a busca de uma vida mais leve – que é o que mais quero hoje.

A internet é uma ferramenta extremamente valiosa, mas por mais benefícios que traga, é apenas um complemento ao nosso mundo e como tal deve ser encarada.

Os meus momentos mais alegres e significativos (e acredito que de quase todo mundo) não foram na frente da tela do computador ou do celular, então por que gastar boa parte do meu escasso tempo livre com algo que definitivamente não me acrescentava nas mesmas proporções com as quais eu ali depositava as minhas energias?

Mas tudo começou há uns cinco meses atrás quando as minhas pendências acadêmicas reduziram meu tempo e me obrigaram a administrá-lo melhor. Eu precisava desacelerar e me focar no essencial. Eu precisava não precisar saber o que estava acontecendo na vida dos meus amigos ou daqueles que nem são tão meus amigos assim, mas que estavam lá nos meus feeds de notícias compartilhando informações irrelevantes para aquele meu momento.

Estudar para as provas ao mesmo tempo em que se lê uma mensagem no celular, atende ao telefone, responde a uma pergunta do colega de trabalho, confere e-mails e as novidades do Instagram pode parecer muito inteligente, eficaz e moderno, mas, em verdade, as últimas pesquisas neurocientíficas indicam que o cérebro não é o melhor em multitarefa. É claro que conseguimos desempenhar tarefas simples ou rotineiras ao mesmo tempo, mas quando precisamos que o cérebro se envolva de fato naquilo que estamos fazendo é necessário focar em uma atividade de cada vez.

Um dos grandes complicadores da vida motivada a tecnologia é a dificuldade de concentração. A minha necessidade de concentração se fez maior do que as solicitações das redes sociais e lá fui eu me desapegando. Os resultados práticos ultrapassaram a seara dos projetos acadêmicos e ajudaram a me aproximar de algo que eu já vinha buscando, que é justamente um estilo de vida menos acelerado, sem tanta informação não essencial o tempo todo e sem tanta distração supérflua. Em resumo, a vida mais leve que acima eu falei.

Estar presa a essa cultura de conexão em tempo integral não permitia estar próxima de outras tantas coisas relevantes que fazem um bem sem igual. Se desconectar um pouco e fazer uma coisa de cada vez permite às pessoas descobrirem seu próprio tempo, passando a trabalhar, se divertir e a viver melhor. Conseguem ser mais criativas e se relacionar melhor com as outras pessoas e com elas mesmas. Comigo tem sido assim.

O dolce far niente dos italianos, o ficar sem fazer nada, ficar à toa, sem qualquer aparelho eletrônico nas mãos, deixando o corpo e a cabeça descansar é coisa que rarissimamente se faz hoje, mas que vale a pena ser experimentada até por aqueles que precisam estar o tempo todo plugados. Todos se beneficiam de algumas horas off, podendo, enfim, apreciar melhor o mundo que nos cerca.

Sem extremismo, só a busca do equilíbrio em meio a tantas informações e a busca por mais relações genuínas de afeto, só o desapego daquilo que não vai nos acrescentar tanto. Só desacelerar, só se enxergar melhor em meio a tantas pessoas que acabamos sendo obrigados a ver. Uma “detox” digital pode ser só isso, simples assim!

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Paloma Ayoub está se formando em Direito pela Universidade Federal do Maranhão. Para ela, o melhor da Lei é a possibilidade de se fazer justiça. Ela acredita que a vida pode ser bem mais inspiradora quando vista e vivida de perto.

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9 respostas para “Só uma vida mais leve”

  1. Concordo plenamente com a Paloma, é uma luta árdua não ficar escrava da internet, tento sempre que posso me desconectar, mas sou muito cobrada. Não olhou isso?? Só respondeu depois de um tempão, coisas assim… Sempre ouço esses comentários. Gosto das coisas simples e naturais, muito tempo investido nas redes sociais nos impede de ver a vida de verdade.

  2. Adorei! E também acredito muito no equilíbrio em tudo na vida! Vou praticar esse “detox” digital! Ótimo texto e sucesso no Site! 🙂

  3. Muito bom o texto, palominha! É verdade, é preciso desapegar de algumas coisas pra ter foco em outras. Confesso que era muito viciada, mas já consigo conviver melhor sem tantas redes sociais

    • Se a gente quiser, conseguimos sim ficar sem redes sociais. O problema é que muitas vezes nem questionamos se estamos investindo tempo demais em algo que gera mais coisa negativa do que positiva.

  4. Concordo plenamente! Apesar de gostar, me orgulho de não ser escrava de internet e, embora criticada, me orgulho de conseguir ficar off line, de não “morrer” sem internet, de conseguir comer sem o celular na mão, de preferir gente de carne e osso a seres virtuais…

  5. Muito bom! Também estou precisando me desconectar para conseguir me sentir mais conectada à mim mesma! Parabéns pelo texto ??????

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