Foto Colunista

POR Márcio Carneiro

Internetismo ou não

Colunas / 25.05.15

Normalmente entre dois extremos existe um espaço enorme cheio de possibilidades.

Não é diferente quando pensamos na relação das pessoas com a internet.

Entre o viciado digital que sofre fisicamente quando se afasta do celular e o cidadão que não tem acesso ainda a serviços de conexão com a rede, há muitos estágios.

A verdade é que os usos e apropriações que as pessoas estabelecem com as tecnologias têm intensidades diferentes. No caso da internet, os dados indicam que essa adoção varia de acordo com a faixa etária, com a localização geográfica, bem como em função de vários outros fatores.

Usar a internet depende da oferta de acesso, de algum recurso (mesmo que mínimo) para pagar pelo serviço, de hardware capaz de operar a conexão e, claro, do desejo do cliente em se conectar.

Tal questão envolve também o tipo de conteúdo que se quer consumir ou produzir. Essa é uma diferença fundamental em relação aos meios de massa já que a internet, a princípio, é um canal bidirecional onde posso, por exemplo, ler uma matéria jornalística, mas também mandar para o jornal um vídeo de um acidente que presenciei.

Usuários jovens tem aumentado cada vez mais a porção de banda que é consumida com material audiovisual, isso já gera novas necessidades em termos de infraestrutura, novos negócios, desafios e possibilidades comerciais também.

Há uma complexa inter-relação entre fatores econômicos, tecnológicos e culturais nesse processo e qualquer explicação simplista deve ser vista com cuidado. Questões também ligadas à privacidade, à ética e ao ativismo digital vêm também juntas no pacote.

Podemos viver sem internet? Os recentes tratamentos para pessoas hiperdependentes da rede, onde elas se isolam para focar no contato com a natureza ou priorizando o convívio presencial com outras pessoas, prova que sim. A internet é uma ferramenta com um enorme potencial? Com certeza.

Como na maioria das vezes uma posição de equilíbrio parece ser mais útil, entendo que inserir a internet na rotina da vida é uma possibilidade muito interessante. Entretanto, colocar todo o potencial humano dentro de uma tela digital é um desperdício de muitas outras experiências interessantes e fundamentais que estaremos deixando de viver.

____________

Márcio Carneiro é doutor pelo programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) da PUC-SP, mestre em Comunicação pela Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo. Especialista em Marketing pelo ISAN/FGV-Rio. Graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Maranhão na habilitação de Jornalismo

_____________________________________________________________

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do Site BH. Possibilitamos que o leitor conheça opiniões diversificadas sobre os assuntos em pauta nas mídias sociais. Sempre iremos expor visões diferentes para que o leitor se questione, questione o mundo ao seu redor e, principalmente, corra do senso comum. Quer ver o seu texto por aqui? Mande para redacaositebh@gmail.com

Seja o primeiro a curtir.

Deixe uma resposta

*

ARQUIVOS

BH NO INSTAGRAM

FOLLOW @BARBARAHELLEN

BH NO FACEBOOK

www.000webhost.com