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POR Andressa Valadares

O que aprendi com Frances

Colunistas / 20.05.15

(Trilha: Feeling Good – Nina Simone)

Em um desses momentos em que a gente se pega pensando sobre os rumos da nossa vida e sobre sonhos ainda não concretizados, Frances veio à minha cabeça. Frances, que é personagem de um dos filmes mais lindos e poéticos que já assisti – Frances Ha, dirigido por Noah Baumbach – é o exemplo mais fiel de como precisamos ter coragem para sermos o que realmente somos.

Frances Ha é, antes de mais nada, um filme para sonhadores. Em 1h35min de puro choque de realidade, a narrativa em preto e branco mostra a luta de Frances para não deixar essa vida cartesiana esmagá-la e diminuí-la a planos que não são os seus.

Mas, não estou aqui para falar do filme, e sim para falar sobre a reflexão que há por trás dele, que me fez pensar sobre sonhos. Sonhos individuais, planos de vida e como nunca seremos felizes se nos deixarmos encaixar em metas que não são as nossas. Se insistirmos em seguir roteiros pré-estabelecidos por terceiros, que sempre pensam saber o que é melhor para nós, o que traz sucesso e o que é mais confortável.

O que todo mundo esquece é que os desejos e vontades são subjetivos e que navegar sem rumo nem sempre quer dizer que não se tenha um norte. Muita gente traça como meta de vida alcançar sucesso profissional, receber um bom salário e ser realizado “socialmente”. Mas, muita gente também quer apenas vender a sua arte, levar poesia e viver uma vida leve, sem exageros e ganhando apenas o necessário e isso, ao contrário da imensa carga de julgamento que existe em cima das pessoas que optam por essa opção “alternativa” de vida, não deveria ser considerado algo tão marginal.

A história de Frances também nos ensina que nem sempre somos tão bons e brilhantes como julgamos ser e, após receber sucessíveis nãos, podemos sim ter a liberdade de adaptar a nossa felicidade, entrando em um acordo com a vida sem necessariamente abrirmos mão dos nossos sonhos.

Durante essa dura caminhada em busca do que realmente somos e queremos, algumas coisas podem sim ficar para trás, a melancolia pode tomar de conta e, mesmo se tentarmos de tudo para girar junto com a roda que leva quase 80% do mundo, nada vai adiantar se não estivermos satisfeitos com nós mesmos.

Tudo isso para dizer que não adianta viver o sonho do outro e anular suas vontades. Esse caminho só leva à frustração e não há nada pior do que o sentimento da perda de tempo. O encaixe é um só.

Frances nos ensina que é preciso ter coragem para ser o que se é e como não devemos nos prender ao que gostariam que fôssemos. Só a gente sabe daquilo que somos merecedores.

Para viver nesta nave louca chamada vida, precisamos apostar na ousadia rara de corrermos atrás dos nossos sonhos, apesar de todos os percalços e sem perder a esperança, pois o que é nosso estará lá, à nossa espera, ainda que a jornada seja longa.

Obrigada, Frances!

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Andressa Valadares é jornalista, repórter do jornal O Estado do Maranhão e socióloga de botequim. Acredita no delírio cultural em massa de que a aparente posição do sol, relacionada com as constelações, na hora do seu nascimento, de alguma forma afeta sua personalidade.

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