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POR Evelyn Lindholm

Jovens e a vivência espiritual

Colunas / 11.05.15

* Entrevista por Ana Oliveira

Site BH – Por que alguns jovens buscam ter uma vivência espiritual? 

Os jovens passam por mudanças constantes, em suas percepções, hormônios, ambientes familiares e escolares. As exigências aumentam com o passar do tempo e a postura do jovem pode variar entre a total adaptação ou uma completa revolta contra as obrigações, a sensação de vazio, solidão ou inadequação com a realidade. Isso pode promover uma busca por algo que o torne parte de um grupo, que lhe dê direcionamentos e conhecimento: um porto seguro – real ou imaginário, palpável ou não. A vivência espiritual lhe inclui em um grupo, em uma realidade partilhada com outros jovens, que seguem as mesmas “regras” ou acreditam em um mesmo ideal.

Site BH – Como isso pode ajudar ou prejudicar? 

A busca de um direcionamento e o encontro com o mesmo pode dar ao jovem algo no que confiar, acreditar, seguir, e isso pode ajudá-lo a se encontrar. O prejuízo, a longo prazo, acontece quando as expectativas acerca da crença religiosa ou do relacionamento interpessoal no grupo são frustradas. A aceitação buscada pelo jovem nem sempre ocorre e causa um aumento significativo nas frustrações.

Site BH – Qual é o limite entre o ser religioso de maneira saudável e o fanatismo?

A forma saudável de se vivenciar qualquer crença inclui o respeito à crença do outro bem como o respeito à diversidade social de modo geral. O fanatismo traz em si algo perigoso, pois pode ser fundamentado em uma leitura errônea dos preceitos,  ensinamentos e direcionamentos dados pela religião.

Site BH – Como é possível explicar, pela experiência na psicologia, aqueles jovens que sentem a presença de Deus, recebem o espírito santo, por exemplo?  Poderia ser criação do imaginário da pessoa?  

Qualquer sensação física de presença espiritual está relacionada a algo emocional ou sensorial que pode ser classificada dentro da psicologia como algo advindo do imaginário. As motivações são as mais variadas, desde a necessidade de chamar atenção até mesmo a sensação de plenitude e aceitação. A convicção de que o pensamento mágico é o que basta para a compreensão do universo produz uma sensação de prazer. Ficamos felizes em imaginar que seres místicos, sejam eles deuses ou outras entidades, se preocupam e cuidam de nós. Não nos sentimos sós e a imaginação é excelente ferramenta para fugir disso.

Site BH – A psicologia consegue explicar a mudança de comportamentos de jovens que são agressivos e, depois de frequentar uma religião, mudam de comportamento?

A religião tem um apelo social enorme, o ambiente alentador de uma comunidade ajuda a afastar as dúvidas até daqueles que não acreditam plenamente no sobrenatural e nos dogmas religiosos. Jovens agressivos normalmente se sentem solitários e a religião os coloca dentro de um grupo, com um projeto, um ideal, o que os ajuda a se sentirem acolhidos, o que os deixa mais calmos, até porque nesse momento eles estão sendo acompanhados e vistos de forma empática.

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Evelyn Lindholm é Filósofa, Pedagoga e formanda em Psicologia.

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