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POR Bárbara Hellen

Tolerância

Colunas / 10.05.15

Coincidentemente na semana de debate aqui sobre o casamento homoafetivo no Site BH, percebi a minha timeline recheada de compartilhamentos sobre uma decisão do Governo que possibilita que o aluno escolha qual banheiro utilizar, em escolas e faculdades, de acordo com a identidade de gênero. Vi uma pessoa falando que era um absurdo e “imaginem um menino usando o mesmo banheiro da sua filha”.

Não posso e nem vou entrar no mérito dos banheiros. Tenho crianças em casa e óbvio que tenho minhas ressalvas em relação a decisões a favor e contrárias aos direitos homossexuais.

Entretanto, o que me incomoda é que muitas das pessoas que lutam contra os direitos homossexuais, evitam buscar entender a complexidade em cada decisão favorável ou desfavorável a essa parcela da população. Evitam pensar mais um pouco antes de compartilhar notícias que possam ajudar no crescimento do preconceito e da intolerância.As pessoas que compartilharam isso tudo, provavelmente, são as mesmas que dizem: “eu não tenho preconceito, tenho até amigos gays”.

Aqui em São Luís mesmo, por exemplo, um gay de 16 anos se enforcou dentro do seu próprio apartamento por não ser aceito pelos seus pais. Em 2014, 326 LGBT foram assassinados, o que significa um assassinato a cada 27 horas.

“O preconceito que eu tenho  não tem nada a ver com todos esses assassinatos”… Será?

Por outro lado, não posso ser intolerante. Cada um pode e deve acreditar naquilo que lhe convém. Para muitos, uma relação homossexual é pecado. Assim como mentir, assim como roubar, assim como manter relações sexuais quando não se é casado. É pecado e quem acredita nisso, pode optar por não ser homossexual.

O que não podemos é querer impor aos outros as nossas crenças. Sejam elas religiosas ou pessoais. Não podemos entrar na igreja de alguém e achar que podemos chocar a multidão com um beijo. Mas, um deputado não pode querer, também, barrar um direito que já deveria ser garantido quando o artigo 5º da Constituição Federal diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

Para mim, todos deveriam ter direito de casar e ser feliz, de poder assumir quem são sem qualquer ressalva. Para mim, a sociedade devia ser mais respeitosa, cuidar da sua própria vida e ficar alegre que todos tenham a oportunidade de viver tranquilamente. A verdade é que todos deviam usar um pouco do senso crítico para pensar que pode ser a sua filha quem queira, no futuro, usar o banheiro masculino.

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Bárbara Hellen é jornalista. Troca qualquer coisa por uma boa conversa, um bom livro ou um sábado na praia. Ela admite: é tagarela, cheia das opiniões, perfeccionista e organizada. Adora conversar sobre política, mercado de trabalho e religião. Otimista, crê que tudo vale a pena se a alma não é pequena.

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Uma resposta para “Tolerância”

  1. “Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade…” Rui Barbosa

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