Foto Colunista

POR Neto Frota

É uma questão de fé

Colunas / 04.05.15

Bárbara Hellen – Qual é a opinião da igreja em relação ao reconhecimento da união homoafetiva pelo Supremo Tribunal Federal?

Pastor Neto Frota – A igreja não tem que ter opinião sobre isso, ela tem que seguir a Bíblia. Não é uma questão de “achismo”, é uma questão de fé. Essa discussão parece ser interminável porque o que devia ser pregado não é a questão do que eu acho certo ou errado. É a questão do que a gente acredita. Duas pessoas que acreditam em coisas diferentes, não tem como entrar em acordo.

Quando me perguntam: “Pastor, você é contra o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo?” Eu respondo: “eu sou contra, mas por questão de princípios”. Eu escolhi viver algo que me faz bem: viver as instruções da Bíblia.

Eu entendo e aceito a decisão do Supremo Tribunal. Posso falar pela nossa igreja, somos uma igreja cristã, evangélica e não concordamos com o casamento homoafetivo, com o casamento de pessoas do mesmo sexo, seja homem ou mulher, pelo simples fato de a Bíblia condenar isso. Como nós seguimos a Bíblia, ela é o nosso livro de cabeceira, nós não concordamos com isso. Eu, particularmente, seguindo as orientações da Bíblia, não compactuo com esse tipo de união.

BH – Você crê que o meio e sociedade podem influenciar na escolha sexual? Se sim, como isso acontece?

NF – Totalmente. Existem dois termos que as pessoas gostam muito de usar, parece a mesma coisa, mas não é. Tem gente que usa o termo homossexualidade e tem gente que usa o termo homossexualismo. Homossexualidade é uma causa, uma condição. A condição da pessoa é algo que a pessoa não pode mudar. Alguém nasce homem, ele não pode mudar isso. Alguém nasce mulher, ela não pode mudar isso. Alguém nasce negro, é a raça, ele não pode mudar isso. Eu não creio na homossexualidade, eu acredito no homossexualismo, que é comportamento. Por isso, eu acredito que ninguém nasce homossexual, ela se torna homossexual, por uma série de fatores.

BH – E como é possível evitar?

NF – Eu não sei te responder como evitar isso, mas eu sei que quanto mais próximo estamos de Deus, mais distante estamos das coisas que caminham contra a vontade de Deus. Então, se eu pudesse dar um conselho, não somente a esse grupo da sociedade, mas a sociedade de modo geral, seria o evangelho. Quanto mais a gente se aproxima de Jesus, mais longe a gente está das coisas que não agradam a Ele.

BH – Caso um homossexual chegue aqui na igreja, qual seria a sua orientação?

NF – Nós amamos os homossexuais. Eu amar uma pessoa não quer dizer que eu concorde com as atitudes dela. Um pai ama um filho incondicionalmente, independente das suas atitudes. No momento que você coloca uma barreira, que a pessoa não se sente amada, valorizada, ela vai se sentir menor que outra pessoa. E os homossexuais não tem nada, absolutamente nada, de menores do que qualquer outra pessoa.

O evangelho é limpo e transparente para todos. E a Bíblia trata o homossexualismo como pecado. Eu não acredito em pecadinho e pecadão. O grande erro é tratar o homossexualismo como pecado extremo do extremo, não existe isso. O mentiroso é tão pecador quanto o homossexual, quanto àquele que mantém relação sexual fora do casamento, ou aquele que engana as pessoas. Enfim, pecado é pecado.

BH – Existe cura gay?

NF – Eu não acredito em cura gay, porque eu não creio que o homossexualismo seja uma doença. É uma questão de comportamento, eu escolho continuar ou mudar o comportamento que eu tenho. Eu não acredito nessa expressão “cura gay”, acho muito equivocado.

BH – Por que os princípios religiosos devem ser referência para um estado laico, como a democracia brasileira?

NF – A liberdade de religião e de crença que temos é maravilhosa. Hoje se fala muito de homofobia e eu acho que as pessoas estão confundindo muito opinião, crença, com homofobia. Hoje, os principais pontos de polêmica no Brasil giram em torno do Pastor Silas e do Pastor Marco Feliciano, deputado. E em minha opinião, principalmente o Pastor Silas, o que ele faz é dar sua opinião. Quando uma pessoa expressa a sua opinião, ela não pode ser tratada como homofóbica. Homofobia é uma doença. O homofóbico é um doente, seja ele cristão evangélico, católico, de qualquer denominação ou religião que ele se encontre. Ele tem que ser preso e tratado.

BH – Mas nós sabemos que certas igrejas tratam com intolerância o homossexualismo…

NF – A Bíblia fala sobre o joio e sobre o trigo. Nossa igreja é contra qualquer tipo de intolerância, sobretudo religiosa. Ao mesmo tempo em que existem pastores intolerantes ao extremo em relação a esse assunto, existem pastores, por exemplo, que se prostituem, que mantem relação sexual fora do seu casamento (a Bíblia chama de prostituição o simples fato de manter relação sexual fora do casamento). Como existem em todas as áreas. Acho um pouco injusto que um pastor, uma igreja, uma denominação, carregue o fardo do erro ou do excesso de qualquer outra.

Eu creio que existam pastores intolerantes, já ouvi falar de homossexuais que denunciaram igrejas por não deixarem nem eles entrarem. Eu costumo comparar esses pastores, que levam tudo ao ferro e fogo, aos ativistas gays. Existe uma diferença tremenda, gigante, entre o homossexual e o ativista gay.

BH – Qual é essa diferença?

NF – O homossexual quer viver a vida dele. Ele quer ter a sua decisão respeitada porque ninguém tem nada a ver com a vida dele. Geralmente, o homossexual procura e, na maioria das vezes, consegue se sobressair na sua profissão, exatamente para não depender de ninguém, ter o direito de ir e vir, de se relacionar com quem ele quiser, morar com quem ele quiser, vestir a roupa que ele quiser. Eu vejo que o homossexual quer sossego, paz, ele quer viver a vida ele.

E o ativista gay não, ele quer polemizar. A grande maioria deles está envolvida em algum órgão não governamental que recebe dinheiro do governo. Então, ele quer polemizar, instigar, utilizar uma entrevista, como essa nossa, para trazer a atenção para si e com isso receber apoio de um ou de outro e se beneficiar, na maioria das vezes, financeiramente. Existe uma grande diferença entre os ativistas gays e homossexuais. Eu não apoio, mas respeito e acho que cada um faz da sua vida o que quiser. Assim como eles tem o direito de se relacionar, de querer casar, de constituir sua família, eu tenho o direito de ter a minha opinião, de me posicionar.

Mas qual é a minha posição? Não é de ir confrontá-lo, afrontá-lo e tentar fazer com que ele mude de opinião. Mas eu tenho que deixar o canal completamente livre para caso ele queira vir até mim, ou ter acesso a algum material meu, livro, dvd, mensagem ou mesmo vir aqui na igreja. Se a palavra de Deus entrar no coração dele e ele entender que precisa mudar de vida, nós estamos aqui para ajudar no que ele precisar. Agora não sou o dono da verdade e nem tenho o interesse de mudar a cabeça das pessoas, porque eu estou certo ou não. Se as pessoas quiserem seguir o mesmo estilo de vida que eu sigo, que é a Bíblia Sagrada, o meu papel é facilitar o caminho para eles e não atrapalhar.

BH – As pessoas que lutam pelos direitos dos homossexuais, lutam pelos direitos legais e não pela aceitação em religiões. Elas lutam pelos direitos de reconhecimento da união, de poder adotar… Todos os direitos que o casal hétero tem. Então, há uma diferença entre os direitos que a pessoa deve receber por ela ser cidadã e ser aceito ou querer participar de uma religião, de uma igreja…

NF – Eu só acho que assim como ele tem o direito de reivindicar um casamento, eu tenho o direito de ter a opção de não fazer esse casamento. Eu não posso ser obrigado a participar de uma cerimônia na qual não comungo. Um dos casos mais graves de extremismo que eu vi recentemente foi em um culto do Pastor Feliciano, no qual duas jovens tiraram a roupa e se beijaram. Além de ser uma afronta, uma deselegância tremenda, a Constituição garante o direito a culto. O local de culto é sagrado não apenas religiosamente falando, mas segundo a Constituição. Eu, por exemplo, não concordo com várias coisas da liturgia, da doutrina da igreja católica. Ponto. Daí eu invadir uma missa e interromper o padre, pelo amor de Deus. Há uma diferença muito grande.

BH – E os fiéis? Como eles são orientados a tratar os homossexuais? Vocês falam sobre esse assunto?

NF – Falamos. Nós falamos sobre todos os assuntos. A Bíblia é o livro mais completo que existe, fala sobre finanças, sexo, casamento, doutrina, comportamento, uma série de coisas. Se a igreja não puder ajudar, ela não vai atrapalhar. Então a orientação que eu passo é: independente do tipo de pessoa que for (rico, pobre, alto, baixo, negro, branco, homossexual, heterossexual, bissexual…) que eles sejam tratados da mesma forma, porque Jesus não os trataria diferente.  Jesus nunca deixaria de abraçar, de trazer uma palavra, como Ele fez durante todo o ministério dele e continua fazendo, porque a gente crê que Ele está vivo. Não existe nenhum tipo de discriminação na nossa igreja.

_________

Neto Frota é pastor presidente da Igreja Evangélica Reis dos Reis. Conversou com Bárbara durante entrevista realizada pessoalmente e autorizou a divulgação de seu contato para qualquer dúvida ou questionamento: pastornetofrota@gmail.com.

__________________________________________________________________________________________________________________________

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do Site BH. Possibilitamos que o leitor conheça opiniões diversificadas sobre os assuntos em pauta nas mídias sociais. Sempre iremos expor visões diferentes para que o leitor se questione, questione o mundo ao seu redor e, principalmente, corra do senso comum. Quer ver o seu texto por aqui? Mande para redacaositebh@gmail.com

Seja o primeiro a curtir.

6 respostas para “É uma questão de fé”

  1. Bárbara, parabéns pelo site e pela entrevista!
    De fato, à medida que os homossexuais ou homoafetivos conquistam mais espaço nos meios de comunicação, percebo uma tendência em incitar uma guerra. É como se as pessoas que não concordassem com as opções de vida que eles fizeram, fossem necessariamente homofóbicas e não tivessem o simples direito à discordância.
    A própria Constituição Federal assegura a liberdade de crença e opinião, então, não é justo e nem justificável que eu, por não concordar com as práticas atinentes ao homossexualismo e por escolher crer que a Bíblia é a verdade e a opção mais correta pra minha vida, seja considerada criminosa.
    Óbvio que não estou aqui defendendo que quem agrida, ofenda física e moralmente, oprima, abuse ou de qualquer forma prejudique um homossexual fique impune, pelo contrário, deve sim ser responsabilizado.
    A questão é iniciar uma cultura em que qualquer pensamento ou opinião contrária seja interpretada como perigosa e deva ser silenciada!
    Mas a discussão, nos moldes em que foi colocada e dando a oportunidade para a percepção do posicionamento dos valores da fé cristã foi muito boa! Parabéns, BH!

    • Obrigada Nathalia. Que bom que você gostou.

      Concordo com você. Acho que opiniões e pensamentos não devem ser silenciados. Adorei a entrevista com o Pastor Neto pois ele não foi nenhum pouco radical. Mas, para mim, ele é exceção. A maioria das pessoas que creem na homossexualidade como pecado, lutam contra os direitos que todo homossexual deve receber. E isso é errado pelo simples fato de um homossexual ser cidadão como todos nós. Acho que o que a gente crê pessoalmente, os valores que levamos para as nossas vidas, são individuais. Não podemos e nem devemos obrigar ninguém a pensar igual.
      Outro “problema” é que assim como há ativistas gays que levam tudo ao extremo, há também religiosos que utilizarão essa entrevista para reafirmar que “ser gay é errado” e incitar, ainda que indiretamente, o preconceito. A sociedade seria muito mais justa se não fossemos tão extremistas em tudo!

      Adorei a sua participação, continua mandando comentários!! 🙂

  2. Gostei muito da entrevista, o pastor soube muito bem expressar sua opinião, eu compartilho da mesma opinião dele e acho que assim como os homossexuais sofrem muito preconceito de muitos “religiosos”, muitos evangélicos sofrem também um pre-conceito por não concordar com essa prática. São geralmente taxados de homofóbicos, intolerantes, e até mesmo de odiosos..
    Mas não é por sermos cegos ou ‘fervorosos’, ‘religiosos demais’ mas simplesmente porque é isso que Deus quer que façamos, que sigamos a sua palavra assim como seguimos: não matarás, não roubarás..
    Está tudo ligado: como seguidores de Deus temos que nos guiar pela vontade Dele-a vontade dele está na bíblia-a bíblia condena a prática homossexual-logo, a prática homossexual é contra a vontade de Deus- o que é contra a vontade de Deus é errado. Se alguém rejeita esse raciocínio tem que rejeitar,ou ser guiado pela vontade de Deus, ou que a bíblia condena a prática homossexual.

  3. Parabéns Bárbara, por essa entrevista, gostei muito. O pastor Neto Frota, soube muito bem colocar sua opinião.

Deixe uma resposta para Rosemary Coelho de Carvalho

*

ARQUIVOS

BH NO INSTAGRAM

FOLLOW @BARBARAHELLEN

BH NO FACEBOOK

www.000webhost.com